Abertura do Primeiro Dispensário de Cannabis do Continente Africano numa Tentativa de “Quebrar o Estigma”

Fonte: Flickr

O primeiro dispensário de cannabis medicinal do continente africano está prestes a ser inaugurado,  constituindo um momento histórico no continente.

O dispensário, que terá como data de abertura o próximo dia um de Junho em Durban, na África do Sul, irá vender produtos importados pelo próprio estabelecimento, produtos estes com canabidiol (CBD) na sua composição, um composto da planta de cannabis que reúne em si um número de aplicações médicas e terapêuticas. A venda de tais produtos encontra-se no espectro da legalidade, tendo o Medicines Control Council desclassificado o CBD em Outubro, tornando legal a posse e consumo do composto caso seja adquirido por um doente com receita médica. No entanto, atendendo ao facto de ainda constituir algo ilegal, o dispensário não irá conter quaisquer produtos que contenham THC, o composto responsável pela sensação de “moca”.

O investidor e empresário, Krithi Thaver é o indivíduo por trás da abertura do dispensário, que terá como localização o Holistic Relief Wellness and Pain Management em Durban. Thaver ambiciona que o dispensário não se cinja ao seu papel bens fornecedor de bens. O empresário idealiza o dispensário como uma instituição, um porta-voz pela reforma legislativa no que diz respeito a cannabis na África do Sul, bem como um sítio onde os pacientes poderão aprender a produzir os seus próprios medicamentos com base em cannabis.         Segundo Thaver, o estigma associado à cannabis na África do Sul traduz-se numa ignorância quase generalizada relativamente à forma como gozar os melhores benefícios terapêuticos que se pode retirar do narcótico em questão. Do mesmo modo, aqueles que escolhem consumir cannabis enfrentam criminalização pelo Estado.

Em declarações dadas à TalkingDrugs, Thaver afirma que “Queremos quebrar os estigma associado à cannabis (…) apesar de vários indivíduos optarem pelo consumo de cannabis como uma forma de medicação alternativa, estes não têm conhecimento que os vários compostos são eficazes no tratamento de doenças diferentes . Pretendemos ensinar aqueles que produzem a sua própria [medicação de cannabis] a seguir os parâmetros internacionais, como aqueles vigentes nos EUA”.

Nas declarações supracitadas, Thaver refere-se ao principal produto a ser vendido no seu dispensário, óleo de CBD, para o qual, vários investigadores farmacêuticos conseguiram encontrar novos e importantes fins medicinais que podem ser aplicados regularmente. Thaver argumenta que as utilizações do óleo de CBD se estendem ao alívio de sintomas ou dores associadas a doenças cancerígenas, a diabetes, tensão alta, insónias, dor crónica, epilepsia , e espasmos musculares.

O empresário espera que o modelo no qual o seu dispensatório se encerra possa proliferar por toda a África do Sul, de modo a pressionar o Governo a admitir o falhanço que constitui a proibição de cannabis, bem como a introduzir legislação com o intuito de auxiliar os pacientes.

Thaver disse à TalkingDrugs que “Pretendemos encetar um diálogo com o Governo, de modo a dar início ao processo da descriminalização de cannabis no contexto da África do Sul, bem como levantar todas as acusações criminais contra doentes que tenham enfrentado problemas legais por terem consumido cannabis. Queremos elucidar aqueles responsáveis pela legislação sobre o porquê de ser cientificamente provado o efeito da cannabis no tratamento de indivíduos... [igualmente] queremos envolver médicos com experiência clínica de modo a avançar a nossa causa.

O passado ano trouxe consigo alterações significativas no que diz respeito à abordagem legal à cannabis nos países de sul de África. Neste sentido, em Abril, o Zimbabué terá autorizado a provisão de licenças a indivíduos que procurem cultivar cannabis para propósitos medicinais ou para investigação. Dita medida terá sucedido a regulação da produção legal de cannabis medicinal no Lesoto, que aparenta autorizar a produção a certas corporações estrangeiras, continuando, não obstante, a criminalizar a produção se for levada a cabo por agricultores locais.