Análise de Água Residual Revela que Cidades Européias estão Usando Mais Cocaína, MDMA

Fonte: Pixabay

Os resultados sobre o novo estudo das águas residuais mostram uma considerável variação regional no uso de drogas na Europa.

Em 7 de Março, o Monitoramento Europeu da Droga e da Toxicodependência (European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction EMCDDA) publicou os resultados da Água Residual e Drogas: um Estudo Europeu de Várias Cidades (Wastewater Analysis and Drugs: a European Multi-City Study). Ao análisar a urina nas águas residuais de 59 cidades e vilas da UE e da Suíça, cientistas estimam as quantidades de cocaína, anfetamina, metanfetamina, e MDMA consumidas em 2017. Pesquisadores estimam que as águas residuais de aproximadamente 43 milhões de pessoas foi analisada pelo estudo.

É o sétimo ano consecutivo que o EMCDDA realiza a análise nas águas residuais do consumo de drogas Europeu e, em termos de números de cidades envolvidas, é o seu maior projeto de águas residuais até a data.

Testando a benzoilecgonina, o principal metabólito da cocaína, os cientistas descobriram que o uso de cocaína é o mais alto nas cidades da Europa Ocidental. Entre as cidades analisadas, Barcelona é a primeira da lista. Resultados sugerem que 965mg (quase um grama) de cocaína foi consumida por dia por 1,000 pessoas na capital Catalã.

A grande quantidade de cocaína consumida em Catalão pode ser explicada pelo fato da Espanha ser um ponto comum de entrada para o tráfico de drogas da América Latina. Numerosas quantidades de cocaína foram encontradas na Espanha nos últimos meses causando qrande repercussão. Incluindo um transporte de 5,88 tolenadas encontrado em Dezembro de 2017, e quase 750Kg da droga encontrada no início do ano – sendo a maior parte escondida dentro de abacaxis.

Das dez cidades que mais consumem cocaína depois de Barcelona, cinco são da Suíça, e o restante dos Países Baixos, Bélgica, Reino Unido e Alemanha. As cidades com os níveis mais baixos estimados de consumo de cocaína são da  Europa do Norte e Leste, incluindo as cidades na Finlândia, Eslováquia e Lituânia.

Fonte: European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction

Pesquisadores constataram que o uso de MDMA é maior, por uma significativa margem, em Amsterdã do que em qualquer outra cidade testada. 230mg (quase um quarto de grama) de MDMA foi consumido por dia por 1000 pessoas na capital holandesa, segundo estimações do estudo. Amsterdã, além de ter uma cultura vibrante da vida noturna, é uma das poucas cidades europeias que permite que as pessoas tragam suas pílulas ou pó para testes; isso permite que as pessoas verifiquem o conteúdo e a pureza de seu medicamento, de modo que possam tomar decisões informadas sobre como usá-lo, se for o caso.

Assim como a cocaína, o uso de MDMA foi mais alto na Europa Ocidental – com as cidades da Holanda e Suíça representando metade das dez principais localidades consumidoras de MDMA.

A metanfetamina é a droga mais usada em direção ao leste do continente, como a análise aponta. As cinco cidades com o maior uso de  metanfetamina são no Leste da Alemanha e na República Checa, enquanto na capital Eslovaca de Bratislava também teve uma taxa alta.

Alemanha, Bélgica, e os Países Baixos dominam a Europa no uso de anfetaminas, com cidades nesses países que compõem todos os 17 principais lugares consumidores de anfetaminas na análise.

Embora a análise traga informações sobre as variações do uso de drogas na Europa, há limitações na abordagem da análise de águas residuais. Como o EMCDDA descreve, esse teste “não pode fornecer informação sobre prevalência e frequência de uso, principais classes de usuários e pureza das drogas”. Além disso, há outras razões – além do uso - os resíduos de drogas podem aparecer em águas residuais, pela presença de fábricas de processamento de drogas.

Não obstante, a pesquisa mostra uma considerável variedade em como os europeus consomem drogas – uma política para reduzir os danos causados por drogas em uma jurisdição pode não necessariamente funcionar em outra. O relatório do EMCDDA pode influenciar os decisores políticos a considerar abordagens que levem em conta as características específicas de consumo de droga de cada cidade.