Um dos Principais Candidatos a Presidência da Colômbia Quer o Fim da Guerra Às Drogas

Gustavo Petro

Gustavo Petro (Fonte: Wikimedia)

Um dos 2 candidatos líderes a presidência da Colômbia denunciou a guerra de drogas militarizada do país e sua aparente subserviência aos interesses antidrogas dos EUA.

Gustavo Petro – o fundador do progressivo movimento progressista do país, e o ex-prefeito da capital Bogotá – crítica duramente as políticas de drogas militarizadas por falhar na contenção do aumento de poderosos cartéis de drogas nacional e regionalmente. Este fracasso, ele diz, contribui para a “balcanização do território colombiano de exércitos privados muito bem armados” - referindo-se à fragmentação da região em áreas hostis ou em guerra, como aconteceu na Península Balcânica nos séculos XIX e XX.

Discursando em 1º de Maio, Petro disse que “a abordagem militarista da Colômbia em relação as drogas tem sido ineficaz”, e que o país deveria implementar ao invés “políticas sociais nas regiões onde as drogas são cultivadas [e] ajudar as pessoas a escapar da máfia”.

A Colômbia recuperou seu título de maior produtor mundial de coca, o principal ingrediente usado na produção da cocaína, em 2013 – e tem apresentado um crescimento contínuo desde então.

As autoridades implementaram diversas, em grande parte ineficazes, táticas para reprimir a produção de coca no país. O estado ofereceu incentivos financeiros para fazendeiros afim substituírem a coca por um cultivo diferente – que se mostrou um desafio, já que fazendeiros alegaram que recebem dez vezes mais dinheiro com a plantação de coca do que com qualquer outra colheita.

O estado também empreendeu a erradicação aérea forçada das plantações de coca dos agricultores até 2015, mas isso foi descontinuado – parte devido ao herbicida usado ser identificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer como “provavelmente cancerígeno para humanos”. Não obstante, a administração de Trump dos EUA tem pressionado a Colômbia a reintroduzir essa medida controversa.

Fonte do Gráfico: InSight Crime

Em uma entrevista com o Newsweek, Petro descartou cooperar com a administração Trump na implementação da militarização das políticas de drogas, e descreveu sua nova ideia para redução do cultivo de coca:

“A guerra às drogas é um fracasso, e isso é identificado na Colômbia e nos EUA, e abriu portas para a violência entre as Américas, de Baltimore ao Brasil. Eu proponho uma política agrária que chamo de substituição da terra e democratização da terra fértil. A folhas de coca não crescem em terras férteis, e se os fazendeiros podem ser levados para campos aráveis, eles irão produzir bens agrários básicos que são mais rentáveis.”

Petro também se opôs a criminalização de pessoas pelo uso de drogas. A taxa crescente de mortes relacionadas à droga nos EUA, diz ele, é “uma demonstração de que a polícia dos EUA é um fracasso”. Ele recomendou que a Colômbia se afastasse da criminalização de pessoas por uso de droga, e ao invés disso, direcionar os usuários de drogas aos serviços de tratamento.

Apesar de uma decisão de 2011 do Supremo Tribunal da Colômbia de que a posse de droga para uso pessoal não deveria ser criminalizada, milhares de pessoas continuam a ser processadas por simples posse. O número de pessoas encarceradas por ofensas de drogas no país aumentou de 6,000 em 2000 para mais de 24,000 em 2016, de acordo com um relato da Release – o centro de especialização e legislação sobre drogas e suas políticas do Reino Unido.

Talvez um dos mais notáveis elementos da abordagem de Gustavo seja que a guerra contra as drogas da Colômbia não deve estar em suas políticas de drogas, mas sim em sua abordagem de bem-estar econômico e social – que ele diz estar intrinsecamente ligada ao crime:

“[Nós deveríamos promover] um acordo com a sociedade na busca de reformas sociais para transformar a Colômbia, de um dos países mais desiguais do mundo em um justo. Se nós não reconhecermos que esta é que causa básica do tráfico de drogas, violência e pobreza, então estamos tendo uma visão distorcida de nosso país. ”

Petro estava liderando as pesquisas em Março, segundo o Centro de Consultória Nacional da Colômbia, mas  foi recentemente superado pelo candidato de direita Iván Duque. A eleição presidencial do país acorrerá em 27 de Março, como o presidente em exercício Juan Manuel Santos atingiu seu limite de mandato.