Como o mundo usa drogas: Descobertas sobre a maconha a partir da Global Drugs Survey (Pesquisa Mundial sobre Drogas)

Os resultados recém-publicados de uma pesquisa internacional nos deram uma visão sobre como as pessoas ao redor do mundo consomem maconha.

Os resultados da Global Drug Survey (GDS) em 2017, publicados em 24 de maio, forneceram uma riqueza de dados sobre como as pessoas ao redor do mundo usam drogas. Quase 120.000 pessoas de 50 países participaram da GDS deste ano, que vem investigando as tendências internacionais do uso de drogas desde 2009. Na última pesquisa, os entrevistados responderam a uma variedade de questões relacionadas às drogas, incluindo a frequência da utilização, a fonte de aquisição e os métodos de consumo.

Embora Embora mais de 50 países tenham participado da pesquisa, é importante observar que a maioria dos 120.000 entrevistados se situavam na América do Norte ou na Europa. Mais de 60% dos participantes eram da Alemanha, Dinamarca, EUA, Suíça ou Reino Unido.

Mais de 90% dos entrevistados foram identificados como brancos, 68% eram do sexo masculino, e quase um em cada três estudavam em tempo integral.

Por estas razões, e também por causa da probabilidade aparentemente maior de participantes que já haviam usado drogas, em comparação com a população em geral, a GDS não visa demonstrar estimativas das taxas nacionais ou internacionais de uso de drogas. Pelo contrário, a pesquisa "é projetada para responder questões de comparação que não são dependentes de amostras probabilísticas", o que nos permite considerar tendências e padrões de uso de drogas em jurisdições e culturas diferentes.

Neste contexto, a maconha se apresentou como a droga mais comum que os participantes da GDS declararam ter utilizado pelo menos uma vez na vida, depois do álcool. Mais de 77% dos entrevistados admitiu o uso anterior da maconha, índice notoriamente superior aos 63,1% que admitiu uso prévio do tabaco e aos 19,1%, que anteriormente haviam usado cocaína.

 

Métodos de consumo de maconha

Internacionalmente, fumar um baseado era – de longe – o método mais comum de consumo de maconha entre aqueles que declararam o seu uso. Mais de 71% dos entrevistados relataram que o baseado era o "método principal" de consumo; os que relataram o uso de bongs, pipes ou vaporizadores como método principal representaram menos de 10% cada.

However, the definition of a “joint” is not set in stone. Here, we find perhaps the most marked international variation in cannabis consumption.No entanto, a definição de "baseado" não é imutável. Aqui encontramos a variação internacional mais caracterizada do consumo de maconha.

Nos países europeus, mais de 50% dos participantes usuários de maconha em cada país declararam o consumo de baseados contendo a mistura maconha e tabaco como seu método principal. Este índice oscilou de 58% dos entrevistados na Finlândia para um máximo de 94% na Itália. Por outro lado, nas Américas, a mistura do tabaco foi relativamente incomum entre os entrevistados que consumiram maconha; nos EUA, apenas oito por cento afirmaram o uso da mistura.

Adam Winstock, o fundador da GDS, advertiu que milhões de pessoas que usam maconha ao redor do mundo estão aumentando significativamente os danos a si mesmos, ao misturá-la com o tabaco antes do consumo. Em uma publicação no site da GDS, Winstock escreve que a mudança cultural é vital para que as pessoas "dissociem o uso de tabaco ao de maconha".

"Devemos ensinar as pessoas como enrolar um baseado sem tabaco", Winstock insistiu, "Ou melhor ainda, a vaporizarem!"

Menos de seis por cento dos entrevistados internacionais afirmam que o uso de um vaporizador é o principal método de consumo de maconha. Este meio era mais comum na Finlândia e nos EUA, onde foi declarado como método principal por 18,9% e 12,7% dos participantes, respectivamente.

 

Maconha pela manhã

Outra interessante divergência internacional no comportamento das pessoas que usam maconha surgiu quando os entrevistados foram questionados quanto tempo eles levam para fumar um baseado após o despertar. Uma diferença acentuada apareceu novamente, entre os entrevistados das Américas e da Europa. Quatro das cinco nacionalidades mais prováveis de fumar no espaço de uma hora após o despertar estavam nas Américas; os EUA estavam no topo da lista, com mais de um em cada cinco entrevistados alegando acordar e ascender um baseado logo de manhã. Nove de 10 nacionalidades menos inclinadas a fazê-lo eram europeias, sendo que as menores taxas foram apresentadas pelos Países Baixos, com 3,6%.

 

Consumo problemático

Os indicadores da percepção do uso problemático da maconha - segundo os quais os indivíduos percebem que seu consumo é muito alto, ou procuraram tratamento para o uso - também variaram de forma significativa internacionalmente.

Algumas das taxas mais baixas foram nos EUA. A taxa daqueles que pretendiam reduzir o consumo era a metade dos índices dinamarqueses - 22,2% - enquanto apenas 0,4% dos entrevistados que usam maconha buscou tratamento médico de emergência no ano anterior.

A discrepância nas taxas de procura por cuidados médicos pode estar relacionada com os recursos de saúde, que podem ser caros e inacessíveis para muitas pessoas nos Estados Unidos, ao contrário da maioria dos países europeus.

Curiosamente, a proporção de pessoas que relataram ter procurado tratamento médico para o consumo de maconha globalmente caiu pela metade entre a GDS2016 e a GDS2017; de 1,2 para 0,6% dos entrevistados usuários de maconha.

Outra Global Drug Survey irá ocorrer durante o próximo ano. Será interessante ver se reformas na política do uso de maconha influenciam o comportamento de consumo e atitudes em relação a droga.

Leia as principais conclusões do relatório da GDS2017 aqui