Espanha detém alegado líder colombiano de narcotráfico escondido na ribalta

Juan Pablo Muñoz Hernández com a atriz e modelo colombiana, Carolina Guerra

Juan Pablo Muñoz Hernández com a atriz e modelo colombiana, Carolina Guerra

As autoridades espanholas procederam à detenção de um cidadão colombiano com ligações  a celebridades. Este é acusado de utilizar o seu estatuto como membro da alta sociedade para esconder o papel que assumia como líder de uma rede de tráfico de drogas internacional. Dito caso é ilustrativo de como alguns líderes criminosos procuram utilizar a ribalta como uma forma de se evadirem às autoridades.

Juan Pablo Muñoz Hernández, o alegado líder de uma rede transnacional de tráfico de cocaína, que utilizava a identidade falsa de “Carlos Ciro”, foi detido no dia seis de Março  pela polícia espanhola. A detenção de Muñoz vem no seguimento de uma investigação conjunta que terá decorrido ao longo de dois anos, levada a cabo pelas autoridades do Brasil, Colômbia e Espanha.

Este artigo foi primeiramente publicado pelo InsightCrime. Pode encontrar o artigo original, aqui.  

Foi reportado que Muñoz gozava de um estilo repleto de luxos como magnata de negócios com um interesse em arte e cultura, socializando frequentemente com celebridades por toda a América do Sul e Europa. Não obstante, de acordo com as autoridades, as viagens de Muñoz  em aviões privados, estadias em hotéis de luxo bem como as suas amizades com a elites endinheiradas e famosas seriam uma forma de dissimular o seu papel como o “rei do tráfico europeu”.

Segundo as autoridades espanholas, a rede de tráfico de cocaína de Muñoz gozava de uma dimensão geográfica que compreendia a Colômbia, México e Brasil, englobando os EUA e o continente europeu, onde ligações à máfia italiana facilitava o movimento de narcóticos.

De acordo com a polícia nacional brasileira, a rede de tráfico de Muñoz começou a ser investigada em 2016, quando as autoridades belgas apreenderam duas remessas de cocaína, cada uma ultrapassando uma tonelada, escondidas em compartimentos secretos em contentores de carga que transportavam mármore, com destino ao Brasil.

Devido a esta investigação, Muñoz era procurado pelas autoridades brasileiras desde o mês de Setembro de 2017. Este tinha, no entanto, evitado encarceramento ao deslocar as suas operações para a Europa, movimentando-se com frequência entre a Grécia, Itália, Espanha e Alemanha.

A polícia colombiana revelou à estação de rádio, Caracol, que Muñoz terá provavelmente iniciado a sua carreira criminal como um membro do grupo criminal, já extinto, os Rastrojos em parceria com a, também já obsoleta, organização Los Comba. As autoridades colombianas revelam que as mortes e detenções dos predecessores de Muñoz terão facilitado a ascensão deste na hierarquia criminal.  Aquando a sua detenção, este estava, provavelmente, ligado ao poderoso grupo criminal colombiano, conhecido como Urabeños.

Presume-se que Muñoz tenha assumido diversas identidades, incluindo a de um empresário italiano com o nome de “Juan Pedro García”. Foi através desta identidade que Muñoz terá, alegadamente, administrado uma empresa de importações e exportações, através da qual se procedia ao contrabando de cocaína para Itália, dentro de remessas de máquinas.

A Análise do Insight Crime

Ainda que a maioria dos líderes de narcotráfico consiga evitar a detenção ao enveredar por um estilo de vida discreto, Muñoz não se trata do primeiro que tenta dissimular os seus atos criminosos com uma imiscuição na ribalta.

No mês passado, um alegado líder criminal foi detido pelas autoridades colombianas cuja reputação, no que diz respeito à extravagância, se assemelha à de Muñoz.  Sob o nome  falso de “Lindolfo”, Sebastián Murillo Echeverry utilizou o seu casamento com uma famosa apresentadora de televisão para estabelecer uma empresa de modelos, que por sua vez lhe forneceu uma fachada que lhe permitia lavar o dinheiro ganho como uma das principais figura do mercado de drogas ilícitas de Medellín.

Identicamente a Muñoz, as redes sociais de Murillo estão repletas de fotografias do mesmo na companhia de atores de renome, bem como cantores e modelos oriundos na sua maioria da Colômbia, México e Espanha. Numa tentativa de se distanciarem do alegado barão de droga , várias das figuras públicas visadas apressaram-se em apagar referidas fotografias das suas contas privadas.

Em 2012, as autoridades colombianas detiveram outro alegado líder criminal durante um casamento repleto de celebridades, que o mesmo teria organizado. Camilo Torres, que recorria ao  nome falso, “Fritanga”, seria o alegado líder das operações de tráfico de cocaína do departamento de Córdoba do grupo Urabeños. Pretendendo a extradição para os Estados Unidos, Torres terá encenado a sua própria morte várias vezes de modo a escapar às autoridades. Não obstante, tal não o impediu de manter amizades com os atores famosos, cantores, e modelos que estiveram presentes no casamento acima mencionado. Este grupo de figuras públicas incluía uma estrela de telenovelas célebre por interpretar o papel de um“sicario” ou assassino pago. O mesmo, num estado ébrio, terá assediado as forças policias que conduziam a detenção de Torres.

Assumindo-se que os principais sectores do submundo criminal colombiano são controlados por uma rede de “invisíveis” - traficantes de longa data que sucedem em evadir às atenções das forças policiais – as recentes detenções de barões de drogas com ligações a celebridades pode significar que estes líderes do narcotráfico procuram cada vez mais, sem sucesso, usar a ribalta como esconderijo.

Este artigo foi primeiramente publicado pelo InsightCrime. Pode encontrar o artigo original, aqui.