O Programa de Tratamento de Metadona de Hong Kong: Um caso de sucesso

Fonte: Flickr

Um recente relatório exalta as virtudes do programa de metadona levado a cabo em Hong Kong. Nas ultimas décadas, referido programa tem vindo a fornecer apoio, de forma eficaz, a indivíduos que apresentem um consumo problemático de opiáceos, motivando outros países a seguir o exemplo da região administrativa especial.

O relatório intitulado Globally informed, Locally responsive (Informado a nível global, Responder a nível local), publicado pelo Open Society Foundations, no passado dia dezanove de Outubro, foca-se no tratamento de metadona fornecido em Hong Kong. Segundo o relatório em questão, a metadona é prescrita medicamente para “ser tomada diariamente com o intuito de reduzir a necessidade do consumo de heroína assim como uma panóplia de medicamentos opiáceos utilizados para combater dores” sendo tida como “um dos tratamentos mais bem estudados assim como mais eficazes no combate à toxicodependência”. Igualmente, a metadona consta na lista de medicamentos essenciais da Organização de Saúde Mundial (PDF).

O relatório tem a autoria de Robert G. Newman, cuja influência na proliferação no que diz respeito ao acesso ao tratamento de metadona, no contexto nova-iorquino, desde a década setenta, é de relevo. Referindo-se à abordagem adotada em Hong Kong, Newman louva o “pragmatismo em ação” que a caracteriza, salientando, por isso, várias razões cruciais.

O programa de metadona de Hong Kong é gerido pelo Estado, e as autoridades certificam-se que as barreiras ao acesso ao mesmo são mínimas. Igualmente, a cláusula que permite a admissão e readmissão nas clínicas no mesmo dia, trata-se de algo, há muito estabelecido, como uma norma por toda a cidade. Adicionalmente, o programa emprega funcionários motivadores a uma escala efetiva, contando com voluntários devidamente treinados, professores de medicina, assim como alguns assistentes sociais. Tal contraria a o consenso prevalente que proclama que a manutenção de metadona requere uma equipa de indivíduos extensivamente treinados.

Os principais fortes do programa residem essencialmente na sua vasta acessibilidade e disponibilidade, assim como a possibilidade acesso quase permanente às suas instalações. As clínicas encontram-se abertas desde as primeiras horas da manhã até à noite, permanecendo, inclusivamente, abertas caso a cidade entre em caso de emergência. Cerca de 60 porcento dos pacientes de metadona vivem a cerca de um quilometro e meio de uma clínica, enquanto quase oitenta e cinco dos pacientes vivem até quinze minutos de uma clínica de metadona.

Um fator crucial reside no facto de as autoridades não pressionarem os pacientes a reduzir ou cessar o seu consumo de metadona. Contrariamente a outros sistemas de tratamento de metadona levados a cabo noutros pontos do globo, o sistema aplicado em Hong Kong não ambiciona “curar” a dependência a opiáceos, optando, por outro lado fornecer um tratamento e assistência contínua aos indivíduos que destes precisam.  

O programa não só visa o fornecimento de indivíduos de medicamentos, mas também tem sido associado a um controlo do alastramento do HIV assim como à diminuição da taxa de incidência criminal. Segundo um relatório de 2009, realizado pelo  

Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), a taxa de HIV relativa a participantes do programa de metadona situa-se entre os zero ponto três porcento aos zero ponto quatro porcento. Este relatório sublinha, do mesmo modo, que ainda que cerca de vinte e seis porcento dos indivíduos que entra o programa supracitado possua antecedentes criminais, apenas quatro porcento destes, terá recebido acusações criminais após a sua entada no programa.

Ainda é incerto se a capacidade de resposta das autoridades de Hong Kong no que diz respeito ao consumo problemático de outras drogas será igualmente eficaz àquelas acima referidas. Dita questão é especialmente pertinente, atendendo ao aparentemente aumento do consumo de cetamina e anfetaminas. Não obstante, o relatório do Dr. Newman sugere que o sistema de tratamento de metadona aplicado em Hong Kong se revelou extremamente bem-sucedido. Assim o modelo de Hong Kong, baseado em provas científicas e conduzido de acordo com os princípios da compaixão, deverá servir de exemplo a outros países, no que diz respeito à redução dos danos resultantes do consumo problemático de opiáceos

 

Consulte o relatório completo, aqui - Globally Informed, Locally Responsive: Hong Kong’s Common-Sense Approach to Expanding Methadone Treatment.