Parlamento do Marrocos estuda proposta para legalizar cultivo de Maconha

Com pelo menos 800.000 de seus cidadãos atualmente vivendo do cultivo (ilegal) de canabis, o Marrocos pode ser o próximo país a legalizar o cultivo e distribuição da planta (a lei atual não estabelece a proibição ao uso) e seus insumos. De acordo com a Rede Marroquina para o Uso Industrial e Medicinal da Maconha, o atual mercado ilegal da planta movimenta cerca de 10 bilhões de dólares por ano e não pode mais ser ignorado. Segundo o projeto de lei que está sendo analizado no Parlamento do país, os camponeses poderiam vender suas safras para o governo, impulsionando a exportação de “produtos canábicos” tais como remédios e têxteis, contribuindo assim para reverter o déficit da balança comercial que no ano passado atingiu o record de 23% do PIB.

A maioria das plantações estão localizadas no Norte do país, na região de Hoceima-Taounate, onde a planta vem sendo cultivada desde meados do século 15. No século 19 o cultivo chegou a ser oficialmente permitido, e desde então vem sendo tolerado, apesar da Guerra às Drogas declarada pelo então Rei Hassan II, em 1992. Atualmente, a região apresenta um dos maiores índices de pobreza, mortes por parto e analfabetismo entre as mulheres, enquanto que a renda per capita é a metade da média do resto do país.

Nos últimos anos, autoridades Marroquinas promoveram uma ofensiva que reduziu as áreas de plantação de canabis de 137 mil hectares a 47 mil, de acordo com a Secretaria de Drogas das Nações Unidas. Porém apesar do esforço, a tentativa de fazer com que os camponeses trocassem o cultivo de Maconha pelo de outras plantações, como azeitonas e amêndoas, foi um fracasso absoluto.

Mustafa Tahiri, um camponês do vilarejo de Beni Gmil, é um dos que espera ansioso pela regulamentação da atividade que é sua maior fonte de renda com a qual sustenta 7 filhos e uma mãe doente. “Não podemos abrir mão do comércio de canabis. É a única coisa que funciona por aqui”, afirma Tahiri.

Além do benefício econômico, a legalização poderia ajudar politicamente o Rei Mohammed VI, que desde quando assumiu o trono, em 1999, vem tentando recuperar a imagem de sua família junto à população da região de Hoceima-Taounate, negligenciada durante os 38 anos de governo de seu pai, Rei Hassan II. Mohamed Lagmili, outro campones do vilarejo de Beni Gmil, não esconde seu resentimento. “Fomos marginalizados. Somos considerados contrabandistas, bandidos”, declara Lagmili, que além da canabis planta tomate, melancia e cevada.