Relatório revela os países mais influentes no tráfico de drogas europeu na Darknet

Um relatório recentemente publicado descortinou a escabrosa realidade do mundo da venda de drogas online na Europa, incluindo o papel de relevo exercido por vendedores baseados no Reino Unido, especialmente traficantes de novas substâncias psicoativas (NPS). O referido relatório, intitulado Drugs and the darknet: prespectives for enforcement, reserach and policy, (As drogas e a darknet: perspetivavas para a aplicação de lei, pesquisa e legislação) foi publicado no passado dia 28 de Novembro pelo Centro Europeu de Monitorização das Drogas e Toxicodependência (CEMDT).  Patente no documento em questão encontram-se os resultados da análise das vendas estimadas e lucros resultantes da venda de drogas associadas à darknet, obtidos entre 2011 e 2017 em 30 países, 28 dos quais membros da UE, a Noruega e Turquia. Ditos achados revelam que a Alemanha, Reino Unido e Holanda constituem, de longe, os maiores focos de substâncias ilegais da Europa. Entre 2011 e 2015, traficantes de droga da darknet destes três países auferiram, respetivamente, um total de 26.6 milhões, 20.3 milhões, e 17.9 milhões, traduzindo-se num valor combinado mais elevado do que os restantes vinte se sete países. Traficantes do país com o quarto valor mais elevado de lucros durante o período analisado, auferiram menos de 5 milhões, em comparação.

Uma análise minuciosa de lucros resultantes das vendas nestes três países revelam que a maioria do rendimento dos traficantes advém da venda de cannabis, cocaína e outros estimulantes, como o MDMA. Foi igualmente revelado que o vendedor mais prolífero per capita, é a Holanda, “com uma taxa de vendas 2.4 vezes maior do que a relativa à do Reino Unido bem como 4.5 vezes mais elevada do que a dos EUA.” Não obstante, o relatório aponta que o Reino Unido “gera um rendimento por volume de drogas vendidas superior” àquele conseguido em qualquer dos restantes 29 passei. No Reino Unido, a partir do qual foi vendido um total de narcóticos avaliada em 20.3 milhões de euros online entre 2011 e 2015, as vendas estimulantes que não cocaína perfizeram cerca de 5.6 milhões das vendas totais, as de cannabis perfizeram 4.9 milhões enquanto as de cocaína amontaram a 4.6 milhões.

Análise dos lucros resultantes das vendas de drogas, 2011-2015 (Fonte: CEMDT)

Adicionalmente,cerca de um quarto do rendimento auferido por vendedores no Reino Unido resultaram da venda de alucinogénios, drogas dissociativas, como a cetamina, opiáceos, e NPS.   Os dados revelam que os traficantes oriundos do Reino Unido estão a suplantar qualquer outro país europeu no que diz respeito à venda de NPS, apesar de dita substancia “representar apenas uma pequena porção de todo o comércio em mercados anónimos online”. Do mesmo modo, de acordo com dados recolhidos pela CEMDT da AlphaBay, um dos maiores mercados presentes na darknet da altura, apesar da implementação da Psychoative Substances Act de 2016 no Reino Unido, referido país permanece líder europeu no que diz respeito aos rendimentos resultantes da venda de NPS na darknet desde 2017.

 

Esquerda: Análise das vendas diárias de NPS originárias da UE, Turquia e Noruega (Fonte: CEMDT)
Direita: Análise do lucro das vendas facilitadas pelo AlphaBay a partir da UE, Turquia e Noruega, 2015-2017 (Fonte: CEMDT)

Desde Julho de 2017, é estimado que tenham sido facilitadas, por intermediário da AlphaBay, transações de mais de 1 bilião de dólares, essencialmente a partir da venda de drogas, entre pelo menos 200.000 utilizadores e 40.000 vendedores, num período de dois anos. Ainda que o website tenha sido encerrado pelo FBI, parece improvável que tal venha a exercer um efeito significativo nas vendas de drogas online. De acordo com a CEMDT  ainda que as forças policias sejam capazes de “interromper os mercados da darknet...o ecossistema geral [dos mercados de droga presentes na darknet aparenta ser bastante resiliente, vendo novos mercados a serem rapidamente estabelecidos”

Como terá sido previamente reportado pela TalkingDrugs, o investimento de grandes quantidades de capitais assim como de tempo dispensado pelas forças policiais na tentativa de encerrar os mercados de drogas da darknet, é pouco provável  que seja eficaz na redução de danos provenientes do consumo de estupefacientes, podendo até despoletar um aumento dos rendimentos dos traficantes.

Um estudo realizado em Abril sugere que a ampla cobertura do encerramento do site da darknet, Silk Road, bem como do encarceramento do seu fundador, levou a um aumento do valor dos mercados internacionais diários de drogas, de 100.000 dólares para 250.000 dólares em apenas duas semana.

O relatório cunhado pela CEMDT recomenda que as autoridades internacionais de múltiplos agentes dirijam o seu foco para os mercados da darknet, assim como para os vendedores de “alto nível” visto que “um pequeno número de vendedores aparenta ser responsável por um volume desproporcionalmente grande de vendas”. É incerto se as entidades legais irão obter um maior sucesso em suprimir o tráfico de drogas online do que aquele que alcançado na supressão de transações fora do mundo digital.

Leia o relatório completo em: Drugs and the darknet: perspectives for enforcement, research and policy