Tráfico de drogas no século XXI

Uma das coisas que caracteriza a nossa época é globalização – o processo pelo qual o mundo parece menor e menor. Tecnologia como a internet e instituições como as Nações Unidas são ambos os sintomas e as causas da interligação global. A explosão no comércio internacional também é parte da globalização, e claro, isso inclui o comércio de drogas ilegais.

O relatório assinala que os principais cartéis desapareceram e foram substituídos por "gangues criminosas ou cartéis mini". Talvez a globalização reduziu as barreiras à entrada, mas também poderia ser que estruturas menores sobrevivam melhor no clima atual. Ameripol afirma que esses cartéis menores são mais difíceis de investigar "devido aos seus problemas inerentes, tais como a atomização do grupo, a diversidade cultural, a expansão territorial.

A situação na África Ocidental demonstra a flexibilidade de traficantes de drogas. "A fraqueza e pobreza na região tornam-se em um bom local para estabelecer rotas seguras", diz o relatório. Talvez ate 250 toneladas de cacaina tem sido  levada ao longo da  "A-10", uma rota ao longo do paralelo, rumo à Europa desde 2009. Mathieu Guidere, um especialista no mundo islâmico, diz que os traficantes pagam movimentos islâmicos radicais para "direito de passagem", que é 10% do valor total da carga. Alguns pagam mais para garantir a proteção do comboio.

África Ocidental não é a região mais estável do mundo, no entanto, em 2011, os conflitos na Líbia e na Tunísia interrompeu as principais rotas para a Europa, e a intervenção francesa no Mali em 2013 teve o mesmo efeito. Mas isso não impediu os traficantes. Alain Rodier, do centro francês de investigação de inteligência, diz que os traficantes "exibiram uma capacidade de antecipar a política internacional e continuar a fazer negócios por outras vias". Ameripol, quase elogiando os criminosos, concordou que os "Traficantes, são mais versátéis do que em qualquer outro negócio, preveem o que irá acontecer e adaptam suas rotas a tempo para não perder qualquer parte do seu negócio lucrativo no meio de uma guerra". Esses traficantes não são estúpidos e estão totalmente dispostos a usar a flexibilidade da globalização como seu aliado.

O tráfico de drogas segue a lei da física – nao pode ser criada e nem destruída, apenas transformada," afirma Ameripol. Em outras palavras, extermina-las em um só lugar não é suficiente, pois, elas aparecerão em outro lugar. "Por esta razão, o efeito expansivo dos países mais empenhados na luta contra o tráfico de drogas tem um efeito de 'boas-vindas' entre organizações em outros países.

Então o que Ameripol recomenda que façamos, dada a natureza inescrupulosa do inimigo? "Seria aconselhável começar a harmonizar as leis sobre certos crimes, especialmente tráfico de drogas como um primeiro passo e crimes relacionados como um segundo passo, de modo a combater na coordenação, execução das políticas comuns e ações efetivas contra o poder do crime organizado na região.”

Um trabalho conjunto certamente iria fortalecer governos na luta contra o tráfico de drogas, mas está longe de ser uma bala mágica. Enquanto há um mercado para drogas e pessoas desesperadas o suficiente para arriscar-se à prisão ou mesmo a morte para colocar o pão na mesa, vai haver tráfico de drogas. Uma maior cooperação entre os governos só forçaria os traficantes a se tornar ainda mais sigilosos e talvez usar métodos mais perigosos. Talvez seria mais sensato deixar de  ve-los como 'o inimigo', que surgiram a partir do éter para causar estragos e começar a reconhecer que o tráfico é uma conseqüência da proibição. Se paramos de empurrá-los ainda mais para as sombras e focarmos sobre as causas do tráfico, talvez possamos começar a curar as feridas infligidas pelo tráfico de todo o mundo.