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Compreendendo o mercado ilegal de drogas na África do Sul: avaliação, tendências e implicações políticas

O mercado de drogas ilícitas é um dos setores mais resilientes da economia subterrânea global. Um estudo no Journal of Illicit Economies and Development, publicado no ano passado, lança luz sobre o mercado sul-africano de drogas não regulamentadas – particularmente cocaína, heroína e metanfetamina. Intitulado “Insights sobre o valor do mercado de cocaína, heroína e metanfetamina na África do Sul”, o artigo investiga a economia desses mercados ilícitos, que foram avaliados coletivamente em aproximadamente US$ 3.5 bilhões em 2020. Isso representa cerca de 1% do PIB da África do Sul – um sinal de que os mercados ilegais de drogas persistem e crescem apesar dos esforços das autoridades policiais.

 

Compreendendo o cenário do mercado de drogas na África do Sul

Nos últimos anos, a África do Sul tem assistido a uma notável aumento na disponibilidade de drogas, e o consumo de drogas também aumentou drasticamente; heroína, cocaína e metanfetamina estão amplamente disponíveis tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Este contexto também destaca como a África do Sul desenvolveu-se em um país-chave de trânsito e consumo no comércio global de narcóticos. No entanto, dados confiáveis ​​sobre o tamanho do mercado ou demografia do usuário são difíceis de obter. Para preencher essa lacuna na pesquisa, os autores do estudo (Andrew Scheibe, Shaun Shelly e MJ Stowe) colaboraram com comunidades locais, incluindo pessoas que usam drogas, para coletar dados de campo e estimar a dinâmica do mercado.

Eles descobriram informações detalhadas sobre padrões de uso, preços e locais de compra por meio de uma série de grupos focais, entrevistas e atividades de mapeamento em nove das maiores cidades do país.

 

A economia do consumo de drogas

Para chegar ao valor total de mercado, os pesquisadores estimaram o número de usuários diários e pouco frequentes de drogas e calcularam os volumes consumidos. O estudo estimou que 400,000 pessoas usam heroína, consumindo aproximadamente 146 toneladas anualmente; 350,000 pessoas usam cocaína, consumindo aproximadamente 18.77 toneladas anualmente; e 290,000 pessoas usam metanfetamina, consumindo aproximadamente 60.19 toneladas anualmente. Multiplicando esses números pelos preços de cada droga, os pesquisadores calcularam um valor de mercado anual combinado de aproximadamente US$ 3.5 bilhões.

Essas estimativas têm amplas margens de erro devido a incertezas sobre o número de usuários e quantidades consumidas. No entanto, elas levam em conta diferenças regionais em custo. Por exemplo, a heroína está disponível a US$ 10 o grama em média na Cidade do Cabo, mas custa US$ 16 em áreas menos acessíveis. Os preços da metanfetamina variam de forma semelhante, custando entre US$ 5 e US$ 13 por grama, dependendo da localização.

 

Inovações e limitações metodológicas

O estudo adotou um método inovador de coleta de dados ao envolver pessoas que usam drogas no design e na implementação da pesquisa. Esses métodos participativos reduziram os vieses associados a pesquisas padrão, onde a subnotificação do uso de drogas é geralmente encontrada devido ao estigma e à criminalização. O método Delphi, uma técnica de construção de consenso, foi usado pelos pesquisadores para se envolver com especialistas relacionados a drogas para estabelecer intervalos prováveis ​​de tamanhos aproximados e taxas de consumo da população que usa drogas.

No entanto, vários desafios ainda persistiram para a execução do estudo. A pandemia da COVID-19 restringiu significativamente o trabalho de campo, e os workshops foram realizados virtualmente. Isso limitou o alcance do estudo e introduziu problemas de acessibilidade para alguns entrevistados. Regiões mal representadas incluíam áreas ricas, provavelmente levando a avaliações de mercado conservadoras. Há necessidade de estudos futuros com amostras maiores, incluindo pessoas que vendem drogas e usuários mais ricos.

A extrapolação para áreas não cobertas pelo trabalho de campo foi baseada na contribuição de pessoas que usam drogas e outros informantes. Essas suposições podem ter resultado em subestimação ou superestimação do consumo real.

 

Implicações para a política de drogas e redução de danos

O estudo destaca a resiliência dos mercados de drogas ilícitas, apesar do policiamento intensivo e das intervenções legais. Isso implica uma demanda substancial de mercado que as políticas proibicionistas não conseguiram suprimir.

Os dados também mostram uma necessidade urgente de reforma política. Em vez de focar na redução da oferta, a resposta ao uso de drogas ilícitas deve focar na redução de danos, saúde pública e apoio comunitário. A pesquisa ressalta a magnitude do problema e as potenciais implicações para a saúde e o desenvolvimento se políticas e intervenções eficientes não forem implementadas com urgência.

Este estudo pioneiro na África do Sul destaca o papel frequentemente ignorado, mas crítico, das pessoas que usam drogas na compreensão das economias das drogas; também destaca a necessidade de mais investigação dos fatores sociais e econômicos que sustentam esses mercados.

O artigo completo está disponível aqui. no Jornal de Economias Ilícitas e Desenvolvimento.

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